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França e franceses

Mais uma vez vem da França o anúncio de novos avanços na História. Esta quinta-feira marca momento importante daquela sociedade, há mais de dois séculos sacudida pelo lema liberté, fraternité, egalité. Desde então, o mundo foi varrido pelos ideais iluministas, adotados em graus diferentes pelas sociedades de todos os continentes. Não obstante a resistência a esses ideais, aqui e acolá, as barricadas de maio de 1968 em Paris lembraram a herança dos enciclopedistas e de sua leitura do mundo. Então, ainda restava a contribuição de Marx, muito mais ameaçadora ao processo de acumulação acelerado desde a Revolução Industrial, que a derrubada simbólica da Bastilha. Nos anos 1980, a queda do muro de Berlim condenou a sociedade à verdade única, na tentativa de conquista definitiva de corações e mentes pela injustiça social. Daí o crescimento da acumulação da riqueza em menor porção dos habitantes do Planeta. Este é o resumo da mobilização de multidões francesas, resistentes a medidas governamentais, que nem por serem legais, atingem razoável grau de legitimidade. Representa 70% dos franceses, a posição contrária à reforma previdenciária proposta pelo governo de Emmanuel Macron. Nela, a permanência do trabalhador por mais dois anos de vida (de 62 para 64)em atividade é o cerne da questão. Lá, como em todo o mundo, as elites detentoras da riqueza passam ao largo dos problemas, porque à sua fortuna corresponde a adesão dos governantes. Como isso tudo acabará, é cedo para dizê-lo. Como e em que medida o desenlace afetará o mundo, também.

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